pensamento pequeno mas singelo na cama

“Te amo pela verdade gritante de teus olhos.” Meu cartão brega de aniversário terminou assim. As letras cursivas borradas no ponto final, o descanso do leitor ao fechar os olhos cansados. Me pego reescrevendo essa mesma mensagem de carinho tantas e tantas vezes, como se minha própria expressão estivesse atada à uma tal condição de palimpsesto. Às vezes tenho preguiça de atualizar. Às vezes o ultrapassado é bom, adquire uma certa nostalgia criança de brinquedo de madeira. Pronto, dito e feito. Uma singela nota de sentimento. Muitas vezes só quero fechar os olhos e admitir para o eu por trás da retina o cansaço da sobreposição, enquanto que o piscar urge pela montagem mais vanguardista possível. Daí essa briga interna externa de vontade desejo me acaba deixando boba e com vontade de chorar num cantinho recebendo um carinho na cabeça. Ser verdadeiro parece um processo para além da evolução pessoal e de espécie. E admitir quando o amor, na sua mais pura essência de não-clareza, distúrbio esquizofrênico sem nome e sentido, confunde a verdade, e distrai os pensamentos a ponto que você tem que reescrever mais de 3x a mesma carta de pequenas oito linhas. Tenho sono, encho o dia de compromissos para não deixar a mente vaga. Que se vaga, sobrepõe, remonta mil coisas que não deveriam estar ali. Bocejo e sigo não entendendo nada, é a mais desastrosa situação.

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